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Poucos países conseguem reunir tanta diversidade em um território tão pequeno quanto a Suíça. Embora muita gente associe o país apenas aos Alpes, cada região possui características próprias, seja pela cultura, pelo idioma ou pelas paisagens. Em poucos quilômetros de estrada, é possível passar por diferentes tradições e cenários completamente distintos.
Nós tivemos a oportunidade de conhecer a Suíça viajando de motorhome e podemos dizer sem exagero: foi um dos lugares mais bonitos por onde já passamos. Um destino que nos surpreendeu todos os dias, pelas paisagens, pela organização e pela facilidade de explorar cada canto.
Conhecendo um pouco da Suíça
Antes de montar seu roteiro, vale entender algumas características do país. A Suíça é dividida em 26 cantões, que possuem bastante autonomia, e tem quatro idiomas oficiais: alemão, francês, italiano e romanche. Dependendo da região visitada, placas, cardápios e até nomes de cidades mudam de idioma, reforçando a diversidade cultural do país.
A moeda oficial é o Franco Suíço (CHF). Embora alguns estabelecimentos aceitem euros, a conversão normalmente não é vantajosa. Nossa recomendação é utilizar cartões internacionais, amplamente aceitos em todo o país.
Apesar de não fazer parte da União Europeia, a Suíça integra o Espaço Schengen. Para quem chega de países vizinhos, normalmente não é necessário passar novamente pelo controle de imigração.
Quando ir para a Suíça?
Essa talvez seja uma das perguntas que mais recebemos quando falamos sobre a Suíça. A resposta é: depende do tipo de viagem que você procura.
Durante o inverno, entre dezembro e março, os Alpes ficam cobertos de neve, os vilarejos ganham aquele visual clássico dos cartões-postais e as estações de esqui entram em funcionamento. É a época ideal para quem quer esquiar, praticar snowboard ou viver um verdadeiro inverno europeu.
Por outro lado, o frio intenso traz algumas limitações: muitas trilhas ficam fechadas, alguns teleféricos entram em manutenção e diversos passos de montanha permanecem interditados. Além disso, os dias são mais curtos, com o pôr do sol acontecendo por volta das 16h30 nos meses mais frios.
Já no fim da primavera e no verão, entre maio e setembro, a Suíça revela uma face completamente diferente. Com dias longos, estradas panorâmicas abertas e trilhas acessíveis, essa é a melhor época para roadtrips e para explorar os Alpes. E mesmo nessa época ainda é possível encontrar neve: basta subir alguns dos teleféricos mais altos do país, como o Jungfraujoch ou o Matterhorn Glacier Paradise, para caminhar sobre glaciares em pleno verão.
Se fosse para escolher a melhor época para conhecer a Suíça pela primeira vez, nossa escolha ficaria entre o fim da primavera e o início do verão, ou então o começo do outono, especialmente entre abril e junho, e setembro e outubro.
Nesses períodos, o país reúne o melhor dos dois mundos: temperaturas mais agradáveis, uma grande variedade de passeios disponíveis, paisagens coloridas e, nas regiões mais altas, montanhas ainda cobertas de neve.
Também evitaríamos os meses de julho e agosto. Apesar de serem uma ótima época para explorar os Alpes, é quando a Suíça recebe mais visitantes, o que significa atrações mais cheias e custos mais elevados por conta da alta temporada.
Leia também: 5 Montanhas na Suíça para conhecer no inverno
Quanto custa?
Não é segredo que a Suíça está entre os destinos mais caros da Europa. Mas existe um detalhe importante: muitas das experiências mais bonitas do país são gratuitas.
Caminhar pelos centros históricos, explorar trilhas, admirar os lagos, dirigir pelos passos alpinos ou simplesmente parar o carro para contemplar a paisagem não custa nada.
Os maiores gastos ficam concentrados em hospedagem, alimentação e transporte. Viajar de motorhome também ajudou bastante no nosso orçamento. Além de economizar com hospedagem, tínhamos liberdade para cozinhar e adaptar o roteiro conforme o clima.
Nossa dica é: reserve uma parte maior do orçamento para os passeios de montanha, como teleféricos e trens panorâmicos. Eles que tornam a experiência suíça ainda mais especial, e os valores podem variar entre CHF 40 e CHF 120 por pessoa.
Como conhecer a Suíça?
Nós escolhemos conhecer a Suíça de motorhome e, sinceramente, não teríamos como recomendar ainda mais essa experiência.
As estradas são excelentes, muito bem sinalizadas e extremamente seguras. Além disso, viajar de carro permite montar um roteiro completamente flexível, fazendo paradas sempre que surgir aquela paisagem incrível à beira da estrada.
Outro grande diferencial é a possibilidade de percorrer alguns dos famosos passos de montanha, que ficam abertos apenas durante os meses mais quentes do ano. Estradas como Furka Pass, Grimsel Pass, Susten Pass, Gotthard Pass e Klausen Pass transformam o próprio deslocamento em um dos momentos mais incríveis da viagem.
E se estiver viajando de motorhome, melhor ainda, uma vez que diversos pontos ao longo dessas estradas permitem passar a noite cercado pelos Alpes. Mas se dirigir não faz parte dos seus planos, fique tranquilo. A malha ferroviária suíça é considerada uma das melhores do mundo. Os trens são extremamente pontuais, confortáveis e chegam praticamente a todos os destinos turísticos do país.
Uma excelente opção é adquirir o Swiss Travel Pass, que oferece viagens ilimitadas em trens, ônibus e barcos durante períodos de 3, 4, 6, 8 ou 15 dias, além de incluir entrada gratuita em centenas de museus e descontos em diversos passeios de montanha.
Outra experiência imperdível é embarcar no famoso Bernina Express. Ligando Chur, na Suíça, a Tirano, na Itália, o trem cruza pontes históricas, glaciares, túneis e paisagens espetaculares, sendo considerado um dos trajetos ferroviários mais bonitos do planeta.
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O que conhecer?
Montar um roteiro pela Suíça é uma tarefa muitooo difícil. Não porque faltem atrações, mas porque praticamente cada estrada, vila ou montanha parece digna de um cartão-postal. Ainda assim, alguns lugares conquistaram um espaço especial na nossa memória e merecem estar em uma primeira viagem.
Berna
Seu centro histórico, declarado Patrimônio Mundial pela UNESCO, parece ter parado no tempo. As ruas de pedra, construções medievais e galerias cobertas tornam qualquer caminhada uma experiência especial.
Entre os principais pontos da cidade estão a Zytglogge, a famosa Torre do Relógio construída no século XIII, e o Bundeshaus, onde funciona o Parlamento Suíço.
Mas o que mais chamou nossa atenção foi uma tradição de verão: o Rio Aare. Com águas cristalinas, ele se transforma em um verdadeiro ponto de encontro para os moradores, que entram na correnteza carregando seus pertences em bolsas impermeáveis flutuantes e deixam o rio levá-los por alguns trechos.
Outro símbolo da cidade é o urso. O animal está presente até no nome de Berna, derivado da palavra alemã Bär. No BärenPark, às margens do rio, é possível observar gratuitamente os três ursos que vivem no local.
Nossa dica é reservar um dia para explorar Berna sem pressa. Mais do que grandes atrações, a cidade conquista pela arquitetura, pelos detalhes, pela culinária e pela atmosfera tranquila.
Interlaken
Se tivéssemos que escolher apenas uma cidade para usar como base na Suíça, provavelmente seria Interlaken. Localizada entre os lagos Thun e Brienz, ela possui uma localização estratégica para explorar a região da Jungfrau, com fácil acesso a alguns dos destinos mais famosos dos Alpes.
A cidade respira aventura. Ali é possível praticar esportes como parapente, rafting e canyoning, além de fazer trilhas e passeios de barco.
Mesmo para quem não busca adrenalina, vale caminhar pela Höhematte, o grande parque no centro da cidade, de onde é possível observar os parapentes pousando com os Alpes como cenário.
Outro passeio que recomendamos muito é o Lago Oeschinensee. Considerado um dos lagos mais bonitos da Suíça, ele impressiona pela água azul-turquesa cercada por montanhas e paredões rochosos.
Além disso, Interlaken é uma excelente base para explorar lugares como Grindelwald, Wengen e Jungfraujoch.
Grindelwald
Cercada por algumas das montanhas mais famosas da Europa, como Eiger, Mönch e Jungfrau, Grindelwald representa exatamente aquela imagem que muitos imaginam quando pensam na Suíça.
O próprio vilarejo já merece uma visita. Mas o grande destaque está nas montanhas. A partir dali partem alguns dos passeios mais impressionantes da região, como o First, onde fica a famosa First Cliff Walk, uma passarela suspensa com uma das vistas mais bonitas dos Alpes.
Outra experiência imperdível é a trilha até o Bachalpsee, um lago alpino conhecido pelo reflexo perfeito das montanhas em suas águas.
Também é de Grindelwald que parte o Eiger Express, um moderno teleférico que reduziu bastante o tempo de subida até o Jungfraujoch, conhecido como o Topo da Europa.
Mesmo sem fazer nenhum passeio de montanha, Grindelwald merece estar no roteiro.
Lauterbrunnen
Se existe um lugar que parece ter saído de um filme, esse lugar é Lauterbrunnen.
Cercado por enormes paredões de pedra e mais de 70 cachoeiras, o vale reúne um dos cenários mais impressionantes da Suíça.
Seu principal cartão-postal é a Staubbachfall, uma queda d’água de quase 300 metros que despenca praticamente dentro do vilarejo.
Mas o melhor passeio em Lauterbrunnen talvez seja simplesmente caminhar sem pressa. Observar os chalés de madeira, pequenas fazendas e as montanhas que cercam o vale faz parte da experiência.
Para explorar ainda mais a região, vale incluir Mürren, um vilarejo sem carros construído sobre um penhasco, e o Schilthorn, onde fica o famoso restaurante giratório Piz Gloria, cenário do filme 007 – A Serviço Secreto de Sua Majestade. A quase 3.000 metros de altitude, a vista alcança centenas de picos dos Alpes e é uma das experiências mais marcantes da região.
Lucerna
Lucerna combina história e natureza de uma forma única. Seu centro histórico, a famosa Kapellbrücke e o Monumento do Leão merecem uma visita, mas o grande diferencial da cidade está no acesso facilitado a algumas das montanhas mais bonitas da Suíça.
O Monte Pilatus oferece uma experiência completa, com barco, trem de cremalheira, teleféricos e vistas incríveis dos Alpes. Outra excelente opção é o Monte Rigi, conhecido como a “Rainha das Montanhas”, com uma vista panorâmica para os Alpes e o Lago Lucerna.
Se tiver apenas um ou dois dias na cidade, nossa dica é combinar o centro histórico com um passeio de montanha. É a melhor forma de conhecer as duas faces de Lucerna.
Zermatt
O pequeno vilarejo alpino fica aos pés do Matterhorn, uma das montanhas mais famosas do mundo e símbolo estampado nas embalagens do chocolate Toblerone.
A experiência começa antes mesmo da chegada. Como veículos movidos a combustão não circulam na cidade, é preciso deixar o carro em Täsch e seguir de trem até Zermatt. A partir dali, os deslocamentos acontecem a pé, de bicicleta ou em pequenos veículos elétricos.
Nossa recomendação é reservar pelo menos uma noite no vilarejo. Ver o Matterhorn iluminado pelos primeiros raios de sol ou pelos tons dourados do entardecer é uma experiência completamente diferente de um simples bate-volta.
Os dois passeios mais famosos são o Gornergrat, acessado por um trem panorâmico com uma das vistas mais impressionantes dos Alpes, e o Matterhorn Glacier Paradise, o teleférico mais alto da Europa. A quase 3.900 metros de altitude, é possível caminhar sobre neve permanente, visitar uma caverna de gelo e admirar uma vista que alcança montanhas da Suíça, Itália e França.
O que comer?
A culinária suíça vai muito além do famoso fondue. Claro que ele merece destaque, mas existem diversos pratos típicos que valem a experiência.
Alguns dos nossos favoritos foram:
• Fondue de queijo: o clássico suíço, servido com pão.
• Raclette: queijo derretido servido sobre batatas, embutidos e legumes.
• Rösti: espécie de panqueca de batata dourada, muito comum como acompanhamento.
• Älplermagronen: uma combinação de massa, batata, queijo, creme e cebola caramelizada.
• Zürcher Geschnetzeltes: tiras de carne ao molho cremoso, tradicional de Zurique.
• Chocolates suíços: praticamente uma atração turística por si só.
Como se preparar?
Independentemente da estação do ano, uma característica acompanha qualquer viagem pela Suíça: as mudanças rápidas de temperatura.
Mesmo no verão, basta ganhar altitude para encontrar frio, vento forte e até neve. Por isso, estar preparado é essencial para aproveitar tudo o que o país oferece, seja caminhando pelas cidades, admirando os lagos ou explorando os Alpes.
Durante nossa viagem, tivemos a companhia da Fiero e algumas peças se tornaram indispensáveis para enfrentar diferentes condições de clima ao longo do roteiro:
Além disso, nossas segundas peles e fleeces foram essenciais para nos manterem aquecidos e cumprir com o sistema de camadas.
Nossas últimas dicas para viajar pela Suíça
Depois de muito tempo rodando pelo país, reunimos alguns hacks que fizeram bastante diferença na nossa viagem.
- Faça compras em supermercados como Coop, Migros, Lidl e Aldi. A economia é enorme em comparação aos restaurantes.
- Leve uma garrafa reutilizável. A água das fontes públicas é potável, gratuita e de excelente qualidade.
- Se pretende visitar várias cidades utilizando transporte público, faça as contas antes de comprar cada passagem separadamente. Em muitos roteiros, o Swiss Travel Pass ou o Saver Day Pass acabam compensando bastante.
- Reserve hospedagens e campings com antecedência durante o verão. É a época mais movimentada do ano.
Se estiver de carro ou motorhome, aproveite para incluir os passos alpinos no roteiro. Muitas vezes o trajeto é tão bonito quanto o destino. - Respeite a lei do silêncio. Pode parecer exagero para nós, brasileiros, mas na Suíça o sossego é levado muito a sério. Durante a noite (especialmente após às 22h), aos domingos e em diversos feriados, espera-se que moradores e visitantes evitem música alta, conversas em tom elevado e qualquer atividade que possa gerar barulho. Para quem viaja de motorhome, esse cuidado é ainda mais importante.
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